segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

The Freedom Writers Diary - Erin Gruwell e 150 Alunos

"Enquanto professora de Inglês no seu primeiro ano, cheia de ideais, na Wilson High School em Long Beach, California, Erin Gruwell enfrenta uma sala de estudantes problemáticos e em risco. Um dia ela intercepta um papel com uma feia caricatura racial e muito zangada diz que foi aquele tipo de coisa que levou ao Holocausto - apenas para ser retribuída por olhares de incompreensão. Então, ela e os seus estudantes, utilizando livros preciosos como o Diário de Anne Frank e o Diário de Zlata como guias, tomaram uma vida de mudança, abriram os olhos, ergueram o espírito para uma odisseia contra a intolerância e incompreensão. Aprenderam a ver os paralelismos entre estes livros e as suas próprias vidas, gravando os seus pensamentos e sentimentos em diários e autodenominando-se "The Freedom Writers" em homenagem aos activistas dos direitos civis "The Freedom Riders".
Com fundos angariados através do programa "Read-a-thon for Tolerance", conseguiram levar Miep Gies, a corajosa alemã que albergou a família Frank, a visitá-los na Califórnia, onde acabou por dizer que os alunos de Erin Gruwell eram os verdadeiros heróis. Os esforços destes estudantes compensaram de forma espectacular, tanto em termos de reconhecimento - aparições em Prime Time Live, The View, e All Things Considered, artigos na People e em jornais importantes, um encontro com o Secretário da Educação dos EUA (na altura) Richard Riley - como educacionalmente. Ao longo da aplicação do inovador método dos Freedom Writers, os alunos de Erin terminaram o secundário em 1998.
Com entradas poderosas dos diários dos próprios adolescentes e um texto narrativo de Erin Gruwell, este diário é o melhor e mais inesquecível exemplo de como o trabalho duro, coragem e o espírito da determinação mudou a vida de uma professora e dos seus alunos."

Adorei. Desde já peço desculpa se o texto se tornar grandinho, mas acho que o livro o merece.
Muita gente já viu o filme e foi ao vê-lo mais uma vez há um mês atrás que finalmente dei o passo final e o comprei. Para que então saibam do que estou a falar, deixo aqui o trailer de Páginas da Liberdade:


Making of:


Apesar de ser mais um filme sobre alunos problemáticos, como muitos que andam por aí, este é um dos meus preferidos. Um dos filmes que não me canso de ver. É poderoso, passa uma mensagem forte. Todos podem ser alguém, desde que não desistam.

Este filme, como de resto já deu para perceber, baseia-se em factos reais. O livro foi efectivamente escrito por cerca de 151 pessoas diferentes, os 150 alunos e a professora, tão diferentes quanto diferença pode sugerir pretos, brancos, asiáticos, latinos, homossexuais, disléxicos, sem-abrigos, ... Eu sei lá, um sem número de pessoas. Todas elas com histórias diferentes para contar.

Basicamente quando esta professora chegou à sala 203 tinha diante de si uma turma de alunos que toda a vida foram marginalizados, intitulados de escumalha, com baixas auto-estimas, com espíritos negativos. A educação não era prioridade. Primeiro que tudo estava a sobrevivência. Situações tão más, como sair de casa e não saber se se chegaria inteiro ou mesmo vivo até ao outro lado da rua, quanto mais no final do dia. Eram crianças que não sabiam brincar, que não sabiam conviver, nem queriam, com raças diferentes, inseridas numa cultura de gangues perigosos.

Foi numa altura em que estava prestes a desistir, como muitos outros antes, incluindo os próprios alunos, que se deu o momento da reviravolta: a caricatura do Sharaud (no filme, deram-lhe o nome Ramal).


É assim que começa a odisseia de 151 pessoas na secundária de Wilson. Para além de dar livros a ler que estavam relacionados com a maioria dos alunos, Erin foi trabalhar num hotel e até numa loja de lingerie para conseguir comprar livros novos, por estrear, a estes estudantes. Até porque este era outro dos preconceitos existentes: estes alunos nunca recebiam livros novos por serem estereotipados de burros e estúpidos. O simples facto de uma pessoa se dar a tanto trabalho por causa deles fez que com que estes estudantes passassem a olhar aquela branquela com outros olhos, olhos de respeito.

Enfim, lêem o famoso Diário de Anne Frank, e conseguiram de facto ter Miep Gies com eles na escola. Lêem o Diário de Zlata, menos conhecido e menos falado no filme, mas igualmente influente ao longo das vidas destas crianças, pois trata-se de um diário escrito por uma refugiada de Seraevo, uma criança com a idade deles. Zlata também é convidada e recebida de braços abertos na escola. Enfim, o Diário dos Freedom Writers é actualmente considerado por alguns o terceiro pilar destes diários, numa sucessão que esperam que não termine por aquela turma.

Os diários surgiram como um trabalho no seguimento daquelas leituras mas também como refúgio ao dia a dia destas crianças. Mas de que vale escrever tanto se tudo se mantém? É então que decidem tornar os diários "públicos", embora de forma a que cada aluno permaneça incógnito, e dá-los a conhecer a pessoas que realmente podem fazer a diferença. É assim que chegam a Washington, D. C., para uma reunião/jantar com o Secretário da Educação. Um grande momento para os Freedom Writers. Uma viagem cheia de grandes momentos, como por exemplo, saírem de manhã cedo do hotel para irem tapar com logotipos dos FW suásticas desenhadas nas paredes das ruas, ou então, clamarem certas passagens do famoso "I Have A Dream" de Martin Luther King, Jr. precisamente no mesmo local onde originalmente foi proclamado, e muito mais.

Por esta altura, mais ou menos, decidem chamarem-se Freedom Writers como homenagem aos Freedom Riders (não sei se já ouviram falar, mas foram um grupo de pessoas de diferentes raças que se meteram num autocarro para atravessar os EUA contrariando a ordem dos assentos atribuídos por raças, encontrando à chegada membros do Klu Klux Klan - foi um branco que deu o passo corajoso de ser o primeiro a sair do autocarro, sabendo o que o esperava, enquanto quase morria de pancada, conseguiu desviar atenções e assim salvar os outros passageiros).

Enfim, aos poucos e poucos, a graduação foi tornando-se mais real, até realmente o grande dia. Muitos seriam os primeiros da família a terem a devida educação e a contrariarem as expectativas dos mais críticos.

Momentos do livro: gangues, praxes, dislexia, reformatório, bairros sociais, romeu e julieta de shakespeare enquanto um bom paralelo de guerra de gangues, sem-abrigo, fibrose cística, vergonha, brinde pela mudança (visto no filme), testemunhar num caso de homicídio (também visto no filme), alcoolismo na adolescência, roubo, o diário de Anne Frank, diário de Zlata, terrorismo, drogas, divórcio, professores racistas, suicídio, molestar, violência doméstica, pedofilia, morte de amigos e familiares, aborto, Freedom Riders, problemas económicos, imigração ilegal, homossexualidade, gravidez na adolescência, graduação e muitos outros.

O livro também traz fotografias para mostrar e até provar aos descrentes que estes eventos se realizaram, como por exemplo o desenho que originou tudo isto. É muito bom de se ler. Em inglês, claro.

Podem saber mais no site criado no decorrer da secundária Freedom Writers Foundation, uma fundação criada para apoiar crianças necessitadas, em termos educacionais.

Antes demais, antes de serem pessoas de uma raça, antes de serem pessoas doentes, antes de serem pessoas com problemas, são seres humanos, como tu e eu!
Ao salvar uma vida, salva o mundo inteiro.

Ao ler o livro, e foi mais perto do final, há uma entrada sobre a incompreensão da homossexualidade, e o preconceito pelo qual os homossexuais lutam diariamente. Claro que se falam em muitas mais etiquetas e preconceitos ao longo do livro, mas esta foi aquela que mais me chamou a atenção pois ao seguir o blogue da Fernanda, tenho vindo a assistir à luta dos amigos dela, e mesmo até dela própria, porque a Fernanda toma parte activa nesta luta. Pensar que vivemos num mundo civilizado e convivemos com este tipo de situações, e quando é por parte dos próprios pais... Enfim, tudo para dizer, que esta foi uma das entradas que de momento se relaciona mais com o meu presente, e espero que os rapazes da Fernanda sobretudo consigam ser felizes.

P. S. - Fiquei com vontade de ler aqueles dois diários, o de Anne Frank e o de Zlata. Vou tentar encontrá-los.

9 comentários:

Bia disse...

Olá!
Tem uma brincadeira no meu blog. Gostaria que você participasse. Não é selinho!!!

Bjs

Jojo disse...

Olá Catarina!
Eu amei este filme. Além de ter uma das minhas actrizes favoritas, a estória é fenomenal!

Adoro as tuas opiniões sinceras!!!

Bjoka e Feliz Ano Novo!

tonsdeazul disse...

Não li o livro, mas gostei especialmente do filme. A Hilary Swank está em grande no papel de professora!

Sara Inês disse...

Olá Catarina :)

Bem... Como já te disse, vi apenas um bocadinho do filme... A parte em que vão buscar a senhora do diário de Anne Frank.

Já li o Diário de Anne Frank há alguns aninhos, mas ficou cá dentro. É um livro muito triste. Ao leres o livro (até dá jeito com o nome do teu blog),tens vontade de saltar para dentro dele e fazer alguma coisa contra tudo o que se está a passar... Pelo menos a ser amiga dela!

Catarina disse...

Meninas, não sei o que vos dizer.

Jojo, opiniões sinceras, sim, até porque não tinha razões para mentir. Mas obrigada.

Também adoro a Hilary Swank, como por exemplo em PS Eu Amo-te.
Tons de azul, ela está excelente.

Sara, eu quero mesmo ler esse diário e o outro. O da Zlata parece estar esgotado até mesmo em inglês :( Mas vamos ver.
Boas entradas para todas, e ao resto do pessoal.

Bia, vou tratar de fazer o teu desafio.

Jojo disse...

Passei para desejar um excelente 2010!!!

Bjinhos*

Vitor Melo disse...

Olá Catarina!
Este é um excelente post dedicado ao livro e filme com o mesmo nome. É um tema abordado de grande interesse público e com grande actualidade em todo o mundo, não só nos E.U.A.
Vi esse filme quando saiu no videoclube e foi o que mais gostei do género.
Há pouco tempo, no 1º semestre da universidade apresentei-o em psicologia numa apresentação de trabalho com o tema: atitudes e mudanças.
Todos o adoraram...
Muito bom.

Parabéns Catarina pelo post e pelos excelentes gostos que tens.

P.S.: Ainda não esses dois diarios que izes no post.
Será que me podes emprestar o de Anne Frank?

bjs Vitor Melo

Sara Inês disse...

O da Anne Frank é muito ... bonito. Li-o quando era mais nova, e marcou-me bastante.

Eu adorava ler este livro! Onde é que o conseguiste? Vi o filme, é realmente fantástico!

Catarina disse...

Sara Inês, bem me pareceu que já tinhas comentado este post, mas eu não me importo mesmo nada.

Quanto ao livro, comprei-o na wook... em inglês, claro.

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