"Todos os dias Lou Suffern, um arquitecto bem-sucedido de Dublin, travava uma batalha inglória com o relógio, na tentativa vã de responder às múltiplas solicitações profissionais, familiares e sociais. Vivia a um ritmo vertiginoso. Tudo se sobrepunha, tinha sempre outros sítios onde estar, outros compromissos a que responder. O seu desejo de ascender a níveis cada vez mais elevados de sucesso e perfeição afastou-o do que era realmente importante na sua vida. E assim foram correndo os dias até àquela gelada manhã de terça-feira em que resolveu oferecer um café a Gabe, o sem-abrigo que costumava sentar-se perto da entrada e espera-o uma dura lição de vida. Emocionante e divertida, esta narrativa onde está sempre presente o espírito de Natal, faz-nos reflectir sobre a importância do tempo e rever as prioridades na nossa própria vida."Vou começar já por dizer isto, para os fãs deste livro depois não se massacrarem mais em ler o resto da opinião: não foi para mim fácil ler este livro. Eu pensava que o livro ia ser mesmo divertido de se ler, porque era isso que toda a gente dizia, e que a própria sinopse falava, mas só consigo contar uma cena em que realmente ri. No entanto, a minha vontade por encontrar mais momentos desses fez-me avançar na leitura e página a página cheguei finalmente aos últimos capítulos onde então não larguei mais o livro.
Sinceramente pensei que o livro fosse outra coisa. O único livro desta autora que alguma vez tinha lido era o P. S. - Eu Amo-te!. Por isso, esta seria a única comparação possível para mim. E no meu entender não têm nada a haver. Com o P. S. tive oportunidade de me rir desalmadamente, o que não aconteceu n'A Prenda.
Por outro lado, o simples facto de uma das personagens principais, se não mesmo a principal, nos incitar a odiá-lo complicou ainda mais a leitura. Não estou habituada a protagonistas que estão do lado dos 'maus'. Porque para todos os efeitos, é isso que Lou começa por ser ao princípio, alguém que não tem tempo para nada, ou melhor, que não tem tempo para a família, mas que o tem para a empresa, para os 'amigos', para as amantes.
Era neste ponto que eu estava quando a Bell, se lembrou de criar a Biblioteca, e eu pedi-lhe para ela reunir as opiniões d'A Prenda, para ver se me puxavam de volta à leitura. E resultou porque continuavam a dizer que era divertido e que tinham gostado muito. Por esta altura, ainda nem sequer tinha largado um sorriso. Estava a ler por ler. Até que cheguei à grande bebedeira de Lou em que Gabe o leva a casa.
E esta é a única cena em que eu me ri em todo o livro: a cena em que o Raphie manda parar Gabe por ter passado no vermelho... porque o Lou, que estava no lugar do pendura, carregou no acelerador com o guarda-chuva. Contei demais? Lol! Este foi o meu único momento de pura descontracção. Depois disso continuei a ler, como que à procura de novos episódios destes.
Ás tantas, mais precisamente, quando ele está a tomar conta da filha que tem uma virose, começamos a gostar mais deste novo Lou. Começamos a embrenharmo-nos na história. Ás tantas, eu já não preciso daquela procura como justificação para continuar a ler. Apesar de pecar (no meu entender) por ter vindo um pouco tarde, esta mudança de Lou por si só apaixonou-me.
No fim, fartei-me de chorar. Chorei, chorei e voltei a chorar. E escondi as lágrimas porque não estava sozinha na sala - ainda bem que Angola estava a jogar, ajudou a distrair os outros (a propósito, foi uma pena terem perdido). Mas agora digo-vos, estes últimos capítulos valeram totalmente a pena. Gostei muito. Adorei.
Um livro que comecei por estranhar, acabou por se entranhar, e foram as lágrimas que compensaram a estranheza. Esperava algo do género mais descontraído do P. S., como já vos disse, mas este registo também não é mau de todo (apesar de no meu caso, ter de lutar contra o meu desânimo), e assim sendo, espero ler mais da Cecelia.
Ao ler o livro,... Esta minha rubrica serve para vos dizer do que me lembrei, o que estava a ouvir enquanto lia, ou o que sentia. E acho que já vos disse: desânimo ao princípio e uma profunda admiração no final. A própria mensagem do livro, actual nos tempos que se vivem, tempos em que não há tempo para nada, é de admiração - no sentido do respeito. Porque nós já não nos admirados com a falta de tempo, só não paramos para pensar nisso. Lembra-te de ter tempo para valorizares aqueles que amas.
«(...) pode ganhar-se (mais) dinheiro (...)
- Então isso torna o tempo ainda mais precioso, não é? Mais precioso do que o dinheiro, mais precioso do que qualquer outra coisa. Nunca se pode ganhar mais tempo. Assim que passa uma hora, uma semana, um mês ou um ano, é impossível recuperá-los outra vez.»


















