"No luxurioso Roarke Palace Hotel, uma empregada entra na suite 4602 para o turno nocturno - e entra no seu pior pesadelo. Um assassino deixa-a morta, estrangulada por uma fino fio de prata. Ele é Sly Yost, um virtuoso de música e homicídio. O homem contratado pela elite. A tenente Eve Dallas conhece-o bem. Mas neste caso intrincado, conhecer o assassino não ajuda a resolver o caso. Porque tem havido mais alguém envolvido. Alguém com um motivo mais pessoal. E Eve tem de enfrentar a assustadora possibilidade - que o verdadeiro alvo possa ser, na verdade, o seu marido Roarke..."Betrayal in Death, o décimo-segundo livro nesta série Mortal, lido mais uma vez e para já em inglês. Um dos mais complicados que já li. Com muita reviravolta.
Vim aqui num instantinho, antes de ir trabalhar para vos trazer a minha última leitura. Confessem, vocês já estavam cansados de ver ali o livro que nunca mais desandava. Outros livros foram-se pondo à frente até que há dois dias, deixei ficar o outro livro muito longe de mim e ao frio, e recomecei a ler o Betrayal que estava muito mais perto. E assim, não consegui voltar a largá-lo.
É um dos livros com mais reviravoltas até agora. Não quero com isto dizer que não sejam óbvias. Ou seja, o que quero dizer é que está muita gente envolvida neste crime. E algumas dessas pessoas são bastante óbvias desde o princípio. A identidade do assassino é desde logo conhecida ou não estivesse ele na sinopse do livro, não é? No entanto o livro girou à volta do porquê dos assassinatos (o que eu, se calhar com visão a mais, consegui logo ver), e quem eram os mandantes, já que este é uma assassino que actua apenas por contrato, contrato bem cheiroso. Portanto as reviravoltas acontecem nessas alturas, quando se sabe o verdadeiro porquê de tantos crimes, qual e quem é o alvo. Mas como disse sem grandes mistérios.
Senti que neste livro acompanhamos o ritmo da Eve. Isto é, às vezes ela descobre o criminoso e não nos diz nada, só sabemos quem ele é quando lemos a cena do frente-a-frente. Neste caso isso não aconteceu. Até me pareceu que ela estava a marcar passo para os mais lerdos, lol. Tenho a percepção que sabemos ao mesmo tempo que ela, mas de novo isso está relacionado com a ausência de mistério. Por Eve avançar mais devagar, até porque não lhe dizem as coisas logo todas, a acção, lá está, parece compassada. Passos curtos e morosos. Não há um momento no livro em que possamos dizer que o ritmo se tornou alucinante. Posso até incluir a parte das perseguições e prisões, nada de fórmulas 1s.
Continuamos a ver a humanização das personagens Eve e Roarke, enquanto casal e fora dele. Vão passar por algumas contradições, no fundo, explicadas pelo facto de estarem a trabalhar juntos oficialmente e a investigação incidir sobre pessoas próximas a Roarke - sim, mais uma vez. Mas somadas aos momentos únicos, que não são assim tão únicos, pois já nos vêm acostumando, temos um casal de meros mortais. O facto dela ser uma super-heroína e ele ser dono do universo, podia pô-los fora do nosso alcance. E até certo ponto é o que acontece. Mas no fundo eles são um casal que se completam, que têm muito sentimento um pelo outro, mas que também jogam às turras. Neste livro, a relação deles é posta à prova por causa, então, de elementos do passado de Roarke. Mas tudo muito bonito e pouco intenso.
A relação de Peabody e McNabb tem um revés. Eu compreendo o McNabb. E estou por ele. As mulheres devem ser solidárias mas eu não concordo com a Peabody e nada me faz mudar de ideias. Claro que quando ela é confrontada pelo McNabb, ela que vem de uma família de espíritos livres, cabeça dura, recua até ao ponto original, e a relação, puf. Com muita pena minha. Ainda assim, como digo sempre, sabendo o que vem pela frente, não me importa. Importa sim o facto de ela ser cabeça de pedra e de ver o McNabb a sofrer tanto.
Outras personagens não aparecem quase por completo. Temos o alento de apenas ser dado algum destaque ao nosso mais-que-tudo Summerset quando a vida dele, bem, ganha novos fôlegos, por momentos, depois de lhe faltar o mesmo. Mas tirando esse pequeno momento que dura umas cinco páginas, nada de mais interessante com os secundários acontece. No entanto notei, que não aparecendo em grande nenhum deles, aparecem todos um pouco. Desde o gigolo, à Trina (a cabeleireira), Mavis, etc.
Para contrapor estas ausências, temos novas personagens. Mick vem do passado de Roarke e é ele quem traz pedras para os sapatos do nosso casal maravilha. Ter que escolher entre o passado obscuro e o presente correcto será difícil, não tanto para Roarke, que é quem tem de escolher, mas mais para Eve, que tem que digerir.
Os crimes neste livro implicam uma investigação conjunta entre a polícia e o FBI. Neste contexto, temos dois agentes, em que um deles, espero, há-de voltar no futuro. Falo da agente Stowe. A vontade de capturar este criminoso que é Yost é tão grande que por momentos ela perde visão. No entanto, ao reconhecer que não foi a melhor maneira de lidar com as coisas, depressa volta a encarreirar e torna-se numa aliada de Eve. Gostava mesmo que ela voltasse.
Tal como já disse, apesar da investigação começar com o homicídio de uma camareira, depressa passa a outros níveis. A Eve deixa de importar apenas Yost mas também os ordenadores das mortes. E não nos podemos esquecer deles, porque existem dois que não são capturados, mas tendo em conta a vontade de Roarke em os esmagar, cheira-me que poderão aparecer outra vez.
Ao ler o livro, não pude deixar de ir ver qual a música de eleição de Yost na celebração dos assassinatos, e por isso deixo-vos Habanera, Carmen, neste caso entoado por Angela Gheorghiu:
(Não vos faz lembrar aquele reclame de detergentes?)
Vê também: Nudez Mortal, Glória Mortal, Fama Mortal, Êxtase Mortal, Ceremony in Death, Vengeance in Death, Holiday in Death, Midnight in Death, Conspiracy in Death, Loyalty in Death, Witness in Death.






























