domingo, 24 de Janeiro de 2010

A Prenda - Cecelia Ahern

"Todos os dias Lou Suffern, um arquitecto bem-sucedido de Dublin, travava uma batalha inglória com o relógio, na tentativa vã de responder às múltiplas solicitações profissionais, familiares e sociais. Vivia a um ritmo vertiginoso. Tudo se sobrepunha, tinha sempre outros sítios onde estar, outros compromissos a que responder. O seu desejo de ascender a níveis cada vez mais elevados de sucesso e perfeição afastou-o do que era realmente importante na sua vida. E assim foram correndo os dias até àquela gelada manhã de terça-feira em que resolveu oferecer um café a Gabe, o sem-abrigo que costumava sentar-se perto da entrada e espera-o uma dura lição de vida. Emocionante e divertida, esta narrativa onde está sempre presente o espírito de Natal, faz-nos reflectir sobre a importância do tempo e rever as prioridades na nossa própria vida."

Vou começar já por dizer isto, para os fãs deste livro depois não se massacrarem mais em ler o resto da opinião: não foi para mim fácil ler este livro. Eu pensava que o livro ia ser mesmo divertido de se ler, porque era isso que toda a gente dizia, e que a própria sinopse falava, mas só consigo contar uma cena em que realmente ri. No entanto, a minha vontade por encontrar mais momentos desses fez-me avançar na leitura e página a página cheguei finalmente aos últimos capítulos onde então não larguei mais o livro.

Sinceramente pensei que o livro fosse outra coisa. O único livro desta autora que alguma vez tinha lido era o P. S. - Eu Amo-te!. Por isso, esta seria a única comparação possível para mim. E no meu entender não têm nada a haver. Com o P. S. tive oportunidade de me rir desalmadamente, o que não aconteceu n'A Prenda.

Por outro lado, o simples facto de uma das personagens principais, se não mesmo a principal, nos incitar a odiá-lo complicou ainda mais a leitura. Não estou habituada a protagonistas que estão do lado dos 'maus'. Porque para todos os efeitos, é isso que Lou começa por ser ao princípio, alguém que não tem tempo para nada, ou melhor, que não tem tempo para a família, mas que o tem para a empresa, para os 'amigos', para as amantes.

Era neste ponto que eu estava quando a Bell, se lembrou de criar a Biblioteca, e eu pedi-lhe para ela reunir as opiniões d'A Prenda, para ver se me puxavam de volta à leitura. E resultou porque continuavam a dizer que era divertido e que tinham gostado muito. Por esta altura, ainda nem sequer tinha largado um sorriso. Estava a ler por ler. Até que cheguei à grande bebedeira de Lou em que Gabe o leva a casa.

E esta é a única cena em que eu me ri em todo o livro: a cena em que o Raphie manda parar Gabe por ter passado no vermelho... porque o Lou, que estava no lugar do pendura, carregou no acelerador com o guarda-chuva. Contei demais? Lol! Este foi o meu único momento de pura descontracção. Depois disso continuei a ler, como que à procura de novos episódios destes.

Ás tantas, mais precisamente, quando ele está a tomar conta da filha que tem uma virose, começamos a gostar mais deste novo Lou. Começamos a embrenharmo-nos na história. Ás tantas, eu já não preciso daquela procura como justificação para continuar a ler. Apesar de pecar (no meu entender) por ter vindo um pouco tarde, esta mudança de Lou por si só apaixonou-me.

No fim, fartei-me de chorar. Chorei, chorei e voltei a chorar. E escondi as lágrimas porque não estava sozinha na sala - ainda bem que Angola estava a jogar, ajudou a distrair os outros (a propósito, foi uma pena terem perdido). Mas agora digo-vos, estes últimos capítulos valeram totalmente a pena. Gostei muito. Adorei.

Um livro que comecei por estranhar, acabou por se entranhar, e foram as lágrimas que compensaram a estranheza. Esperava algo do género mais descontraído do P. S., como já vos disse, mas este registo também não é mau de todo (apesar de no meu caso, ter de lutar contra o meu desânimo), e assim sendo, espero ler mais da Cecelia.

Ao ler o livro,... Esta minha rubrica serve para vos dizer do que me lembrei, o que estava a ouvir enquanto lia, ou o que sentia. E acho que já vos disse: desânimo ao princípio e uma profunda admiração no final. A própria mensagem do livro, actual nos tempos que se vivem, tempos em que não há tempo para nada, é de admiração - no sentido do respeito. Porque nós já não nos admirados com a falta de tempo, só não paramos para pensar nisso. Lembra-te de ter tempo para valorizares aqueles que amas.

«(...) pode ganhar-se (mais) dinheiro (...)
- Então isso torna o tempo ainda mais precioso, não é? Mais precioso do que o dinheiro, mais precioso do que qualquer outra coisa. Nunca se pode ganhar mais tempo. Assim que passa uma hora, uma semana, um mês ou um ano, é impossível recuperá-los outra vez.»

Captivated By You - Sherrilyn Kenyon

"Em Captivated By You, a agente da BAD deve infiltrar-se como dominadora para capturar um terrorista perigoso. Felizmente, o agente 'Ace' Krux, o qual ela sempre desejou, é o seu parceiro durante as aulas. Imediatamente, os papéis de mestre e servo perdem-se, e Rhea e Ace soltam o desejo escondido."

Captivated By You, faz parte das antologias Tie Me Up, Tie Me Down e Born To Be BAD, e é o segundo volume da série BAD.
Oh meu Deus! O primeiro volume eu gostei, este segundo livro simplesmente amei. Ri tanto. E continuo a rir cada vez que me lembro.

Este não é um thriller, aliás é isso mesmo que eu começo a perceber destes livros: não há desenvolvimentos explosivos, acções intensas e perigosas. São romances e este um muito divertido.

O ponto central neste Captivated é a relação mestre/servo. Existe um terrorista que dois agentes querem apanhar, mais especificamente um casal de agentes. Este terrorista tem um gosto particular por sexo naqueles termos. Julga-se que o homem gosta de representar o papel de escravo durante os actos sexuais. Para isso, a agente tem de se treinar enquanto dominadora/dominatriz (eu é que não domino bem estes termos). Mas para se treinarem ou apenas aprenderem este tipo de relação, há que se ter um parceiro. E é aqui que entra o nosso agente, a imagem de Deus grego.

Agora, ponham na cabeça esse Deus grego, todo bem torneado, musculado, esculpido, dentro de uma tanga minúscula de cabedal, e imaginem a situação mais ridícula possível. E ele não está numa prova de esculturismo. Mas vocês têm mesmo de ler para perceberem do que falo.

Ace... antes demais deixem-me que vos diga que ainda não posso dizer que conheço bem Kenyon, mas vou dizer isto, Ace é o típico homem noriano, aquele homem que todas nós queremos ao nosso lado, o herói do dia-a-dia, o homem de sorriso fácil, bonito, um bocado bruto e tipicamente machão, mas um homem apaixonado e de uma mulher só.

Rhea é uma mulher forte e independente. Teve algumas situações passadas que a faz viver condicionada no presente, não se entregando por completo a si e aos outros. A compensação a que se auto-obriga é direccionar essa entrega ao trabalho e à BAD. E entrega-se de forma exemplar. Uma das melhores agentes. Claro que toda esta missão não vai ser facilitada tendo que conviver com Ace, e tendo que assistir à triste imagem dele que mal fica tapado com uma tanga - por favor!

Retter, Joe, Tee (ainda não vos falei dela, mas é o braço direito de Joe, uma mulher temida por todos na BAD, mas bastante acessível e completamente perdida por Joe) continuam a aparecer, como já vos disse que aparecerão ao longo da saga. Infelizmente, vai demorar o livro com eles como protagonistas, mas uma apresentação a migalhas também tem as suas vantagens: aguça a curiosidade. E perguntam vocês: e isso é uma vantagem? Eu acho que sim, porque quando o livro finalmente vier, estaremos mais abertos a eles. No entanto, posso adiantar que são todos podres de bons. Como que gostava de deixar o mundo real e perder-me por entre estas páginas onde não há gente feia.

Ao ler o livro, que posso eu fazer se não continuar a imaginar o homem na tanga. Desculpem mas ficou impresso, eu diria mesmo, cunhado na minha cabeça. Até porque procurei no google imagens de situações parecidas. Gente, eu ri tanto, que tenho de aconselhar este livro para quando se sentirem mais em baixo.

Ver também: BAD To The Bone.

BAD To The Bone - Sherrilyn Kenyon

"Em BAD to the Bone Marianne ganha um sorteio que lhe concede a oportunidade de ser a heroína do seu romance favorito. Levada para uma ilha remota, os devaneios de Marianne tornam-se realidade quando o agente da BAD Kyle Foster a rapta e lhe mostra toda a fantasia."

BAD To The Bone, faz parte das antologias Big Guns Out Of Uniform e Born To Be BAD, e é o primeiro volume da série BAD.
Para primeiro volume, nada mau. Como se espera de um primeiro livro de uma série, ele prendeu. Já tenho os volumes seguintes e espero acompanhar esta saga de perto.

Nota introdutória: BAD é uma agência super secreta norte-americana, da qual apenas o Presidente dos States tem conhecimento, e que é constituída por pessoas de todos os quadrantes, desde ex-criminosos a ex-militares, sendo todos eles pessoas solitárias. A principal característica desta força, é que, ninguém sabendo deles, não têm que responder a superiores ou a outras agências. Devem cumprir sempre as suas missões independentemente de que meios sejam usados para tal.

Neste primeiro volume, começamos com algo muito leve, uma vez que o agente protagonista está de férias. E o que faz um agente da BAD durante as férias? Destrói castelos de areia com bombas. Mas enfim, tirando estas explosões todas, não podemos falar em acção intensa, pelo menos no que diz respeito a missões perigosas. Já noutros campos...

Para que vocês percebam melhor este livro, a história passa-se numa ilha remota, dividida entre duas partes, aquela que é ocupada pelos agentes em treino ou férias da BAD, e a outra que é ocupada por uma editora (é assim Fernanda?) que torna realidade o livro preferido a uma leitora. As partes não devem nunca encontrar-se. Evidentemente, não é o que acontece. E é assim que Marianne entra no campo de visão de Kyle, quando ele está prestes a explodir mais um castelo. Mais tarde Kele vem a saber que o livro preferido de Marianne, e aquele que está a ser reconstituído, é sobre alguém que a salva de um rapto. Ao princípio, ela julga que Kyle poderá fazer parte do elenco, enquanto que este tenta fazê-la acreditar que está verdadeiramente a salvá-la de um mafioso qualquer. Enfim, acreditando cada um na sua história, acabam por passar algum tempo juntos. O resto fica para vocês descobrirem.

Kyle, como se pode perceber, é o diabo e a tentação em forma de gente. Mas é também, mais profundamente, um homem solitário. Sozinho desde muito cedo na sua vida, nunca amou e nunca foi amado. E, o que conta para a história, nunca se sentiu satisfeito com o sexo porque nunca foi sentido. As mulheres da sua vida limitam-se a mulheres pagas e mulheres que encontra em missões. Acha que não tem direito a mulheres como Marianne, aquela que ele vê como tão normal, tão comum, mas aos olhos dele, tão perfeita. É a possibilidade da vida dele também poder ser normal, junto de uma família que nunca teve.

Marianne é uma simples professora de uma terra perdida algures nos EUA, completamente vulgar, mas com vontades e fantasias bem interessantes. Nunca fez nada de extraordinário. O facto de ter sido seleccionada para a reconstituição do seu romance preferido, torna a sua vida mais excitante. E mais picante quando conhece Kyle, alguém que ela acha que nunca olharia para ela com olhos famintos (que é o que parece acontecer).

Estas são as personagens principais do livro. Há outras que vão ser comuns a todos os volumes como o Joe (o director ainda muito novo mas também o fundador, a autoridade, apenas ultrapassada, pelo Presidente dos EUA), o Retter (um dos melhores agentes da BAD), e outros que muitos. Vai ser muito mais interessante quando houver um livro sobre cada um deles.

Este é um tipo de registo que fica entre o romance da Nora e o erotismo da Lora. Quando leio os três, noto que a Sherrilyn é um romance com cenas de sexo mais explicitamente descritas do que nos romances de Nora, mas muito menos cru e mais romântico do que a Lora. Lá está, fica bem no meio.

Ao ler o livro, obviamente fui investigar o site oficial da Sherrilyn e simplesmente adorei. Adorei porque ela tem a foto da pessoa que a inspirou na construção das personagens. Ok, não tem de todas. Creio, daquilo que percebi, que só tem (de alguns) dos agentes da BAD. Junto à foto tem ainda um pequeno bilhete de identidade. É uma fonte de informação interessante.

Já agora deixo a foto do Kyle (a Marianne não tem foto precisamente porque não é agente), para aguçar o apetite.

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Metamorfoses Para Mim, Metamorfoses Para Vocês

A AMB anda a modos que desaparecida, e depois regressa, oferece-me um presente mas não diz nada. Para ficar só para ela. Não sejas assim! Gananciosa! :P

É suposto eu oferecer agora a 5 blogues e, excluindo aqueles a quem já foi oferecido e aqueles que não costumam postá-los, decidi-me pelos seguintes:
Devaneios da Jojo
A Magia das Palavras
Gosto de Ti, Livro
Parte de Mim... (para te dar força nesta altura)
Joaninha (porque sei que desta vez vais publicar - já que sou eu que estou encarregue disso, lol).

Bom fim-de-semana! Sorriam!

A Coleccionadora de Opiniões - a Biblioteca

Olá.
Hoje, pela segunda vez desde que o blogue foi criado, venho aqui, não por causa de livros que li ou por selos que recebi, mas por um anúncio.

Anúncio: a Bell criou um blogue de armazenamento das nossas críticas.

A ideia é "criar uma biblioteca/base dados de fácil acesso a quem queira ler várias opiniões acerca do mesmo livro, ou descobrir novos sites dedicados à leitura!"

Portanto, não percam mais tempo e partam à descoberta da Biblioteca - A Coleccionadora de Opiniões (sim, eu sei Bell, o nome está ao contrário, mas não te incomodes).

sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Dia - Elie Wiesel

"Um jovem jornalista de nome Eliezer, atravessa-se à frente de um táxi. Será um acidente ou a tentativa de suicídio de uma alma atormentada pelos horrores que sofreu nos campos de concentração alemães? Dividido entre o desejo de viver e de morrer, Eliezer tem de alcançar a paz interior que lhe permita aceitar e ultrapassar o horror de que ele, a família e amigos foram vítimas."

Finalmente um dos livros que tanto aguardei. Encontrei-o a 5 euros na wook, como é possível? Enfim...

Li e não tomei em atenção que devia ser lido depois de Amanhecer, que é o único que me falta nesta trilogia de Elie.
Já tive oportunidade de dizer que adorei Noite. Já o li há alguns anos atrás mas continua a ser o meu preferido até hoje.

Dia é um livro que não achei tão intenso quanto Noite, nem como dizem ser Amanhecer. A verdade é que Noite conta a viagem e a 'estadia' nos campos de concentração. E conta de uma forma tão pessoal que nós, e de certo estou a exagerar porque por mais que a gente venha a ler nunca saberemos o que foi, vivemos as palavras. Eu chorei tanto com esse livro... Em Amanhecer, conta a história daquele mesmo menino que nos apresenta Noite, mas nos tempos imediatos à libertação dos prisioneiros. Não vos sei dizer mais do que isto.

Dia traz então os dias mais longínquos a esses dias de terror. Mas coloca uma questão essencial e que nós, tu e eu, nunca poderemos responder sem hesitações: algum dia os sobreviventes conseguirão seguir em frente? Ao que parece o próprio Elie continua a ter pesadelos, e a vida não lhe flui com naturalidade. Acho que não é demais pensar que estes homens e mulheres simplesmente andam cá, mas nem todos têm a capacidade de viver. É verdade que muitos constituíram família, enfim, seguiram a vida que os outros esperam que seja levada, mas e dentro deles? É sobretudo sobre este tipo de questões que este último livro fala.

Em termos práticos, achei o livro muito triste, como só podia, mas ao mesmo tempo muito monótono. Há muita dor, muito sofrimento, do princípio ao fim. Muitas lágrimas e muita nostalgia. Acho que realmente é preciso muita calma e muito espírito para ler este livro. Como já disse fala de um rapaz que ficou preso ao passado e não tem vontade de viver. Ele simplesmente está ali, apesar de ter alguém ao lado dele disposta ao sacrifício para o salvar. Não é um livro fácil de ler, precisamente por causa desta carga.

O facto de Eliezer ter andado à volta com o livro, criando uma história sem um fio condutor, dificultou ainda mais a leitura. Num momento está numa cama de hospital com sede, e no seguinte a conhecer a mulher, depois a relembrar a avó que morreu nos campos, a santa da mãe, a santa da prostituta, etc. Tanta volta sem aviso, que às tantas perdemo-nos.

Nota: na sinopse diz que Eliezer se atira para a frente do taxi. Não creio. Ele está na passadeira. Mas a recuperação fechado numa prisão de gesso permite-lhe a oportunidade de pensar mais intensamente no significado da vida depois da morte.

Ao ler o livro, percebi o porquê destes livros fazerem parte da leitura obrigatória nas escolas dos EUA. Este livro, que rendeu o Prémio Nobel da Paz a Wiesel, deve ser estudado e analisado. A mensagem que passa é poderosa e nem toda a gente está preparada para a decifrar. Incluindo-me a mim mesma, não creio que tenha conseguido passar sequer da primeira camada. Talvez vocês, se tiverem força para o ler, sejam melhor sucedidas.

quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Interlude In Death - J. D. Robb

"Na primavera de 2059, a tenente Eve Dallas é chamada ao espaço para enfrentar uma prova extenuante - dar um seminário na maior conferência de polícias do ano, a decorrer num resort luxurioso. Um resort que é, claro, propriedade do seu marido, Roarke.

Apesar de Eve não o ver bem assim, é suposto serem também férias. Mas o trabalho interrompe na forma de um homicídio sangrento, e Eve corre para a sua solução. O caso é complicado pela história pessoal que esta mantém com a vítima - e pela história entre o assassino e Roarke. À medida que o perigo se acerca e o número de vítimas aumenta, Eve tem de encontrar forma de parar este círculo de violência e vingança, e mandar o passado para onde pertence."

Interlude in Death, faz parte da antologia Out Of This World e deverá ser lido entre Betrayal in Death e Seduction in Death.

Com todos os inconvenientes que uma antologia pode trazer, esta é das melhores. Com pouco espaço para grandes histórias ou mistérios, J. D. Robb soube dar a volta. Não digo que que seja de outro mundo, mas como já tive aqui oportunidade de testemunhar, fazer um livro destes nem sempre sai bem. Este saiu.

A história desenrola-se no resort interespacial de Roarke, Olimpus, já nosso conhecido, e cujo crescimento temos vindo a acompanhar desde muito cedo, sendo inclusive o local escolhido para a lua-de-mel, logo num dos primeiros livros. E foi interessante ver que apesar de nunca ter sido dada muita relevância a este investimento, o pouco que foi sendo vislumbrado permite-nos perceber que este não era mais um mero capricho de Roarke. É algo que ele quer com muita força, é o seu menino. Por isso, quando chegamos a esta fase de inauguração oficial, o orgulho também é nosso.

A inauguração perfeita para um investimento de um dos maiores ex-criminosos do mundo só podia ser com uma conferência que reúne os melhores dos melhores dos polícias de todo o mundo e espaço. E que maior façanha senão a de matar no meio de tanto polícia?

E é aqui que entra o mistério. Apesar de sabermos quem poderá estar por trás dos crimes, não sabemos quem o comete. Ou melhor, somos levados a suspeitar de alguém para quase no fim descobrirmos que estávamos errados. Acho que este tipo de surpresas, regra geral, só pode ser bom para a história. Eu pelo menos gostei e acho que deu muita cor a um policial deste género.

Começo a ficar um pouco cansada de falar sempre nestes dois, mas também concordo que se não falar, é uma falta grave. Afinal de contas a saga é sobre eles. Além disso, se não falar deles, não posso falar de muito mais gente porque os nossos favoritos quase não aparecem.

Roarke está sempre mais ou menos relacionado com os crimes, ou com os criminosos. Neste volume, essa relação é forte, uma vez que os crimes ocorrem para se vingar, não dele, mas dos actos do pai. E, sendo uma vingança por um acto cometido quando Roarke ainda tinha 12 anos, não deixa no entanto de ser alvo dela. Eu juro que não entendo isto de 'blood tells' - blood não tells nada. Se assim fosse... Contudo isto parece ser uma justificação muito popular e Robb não é a única a usá-la.

Eve é a polícia que não sendo a detective principal, uma vez que não tem jurisdição no espaço, vai resolver o caso, como não podia deixar de ser. Uma pessoa que se habitua a mandar, não costuma reagir muito bem a ordens, portanto, tentem imaginar o que acontece? Pelo menos nos primeiros capítulos, a animosidade entre esta e a Detective Angelo estará ao nível da desconfiança. Não se conhecem, mas a vontade de solucionar estes crimes une-as, e trabalharão no melhor das suas capacidades. Por outro lado, estes homícidios constituem uma tentativa vã de escapar ao seu seminário, onde terá de orar para dezenas de pessoas, um dos piores ódios de Eve. Robb soube pô-la a fazer as duas coisas ao mesmo tempo (bem, mais ou menos) - depois vocês perceberão.

Não posso deixar de falar um pouco nesta Chefe Angelo. Ela é a superiora máxima das forças policiais no Olimpus, e, por isso mesmo, contratada por Roarke. Vê-se um pouco dividida entre tentar por tudo em manter o cargo (sem contrariar Roarke), mas fazê-lo tendo por base a moralidade em que acredita (nem que para isso tenha que contrariar Roarke), perceberam? Não vai chegar a este ponto de dúvida no seu extremo. Angelo está tão concentrada na resolução do caso, que não se importa de aceitar sugestões de Eve (até porque ela não tem experiência em homicídio). Juntas formam uma equipa imbatível. Estou mesmo esperançada que ela volte a aparecer, até porque com tantos livros pela frente, algum virá outra vez em que ocorra em Olimpus.

Não nos esqueçamos ainda de personagens que, para um livro pequeno, não tem grande peso, mas de certeza que contribuem para o desenvolvimento desta saga, como sendo: Peabody, Feeney e Mira (entre outros - o McNab não aparece :( ).

Curiosidade: a solução do caso, para além de passar pelo passado de Roarke, atropela também o de Eve. E o passado dos dois cruzou-se numa outra vida. Mas não posso contar mais.

Ao ler o livro, fui assaltada pela frustração. E isto é só uma história eu sei, mas acontece muito por esse mundo fora. Estou a falar nomeadamente na discriminação das mulheres enquanto profissionais. Aquela personagem que somos levados a odiar desde o princípio começa mal quando diz que as mulheres são feitas para estarem atrás do fogão e para parirem. Não deviam nunca estar nas forças policias, porque a defesa e a luta cabe aos homens. Que ideia tão pré-histórica. Uma ideia repetida vezes sem conta no livro, que não tem qualquer nexo, mas que continua a existir por aí.

Vê também: Nudez Mortal, Glória Mortal, Fama Mortal, Êxtase Mortal, Ceremony in Death, Vengeance in Death, Holiday in Death, Midnight in Death, Conspiracy in Death, Loyalty in Death, Witness in Death, Judgement in Death, Betrayal in Death.

domingo, 10 de Janeiro de 2010

As Minhas Estantes

Este post é uma cópia exacta de outro post que publiquei no Depois de Ler o Livro. Trago-o aqui porque tem tudo a ver com a essência do Ler o Livro, ou seja, os livros.

Aqui há tempos vi num blogue a falar das suas estantes. Confesso que não me lembro de qual foi e peço desculpa por isso, mas aqui ficam agora as minhas.

"Depois de ler o livro... arruma-se na estante. Alguns eventualmente voltarão a sair de lá para serem lidos. Só os melhores merecem essa honra.

Estes são apenas alguns deles. Pelo menos os mais recentes. Os livros da infância e da adolescência estão noutra parte da casa, assim como a minha colecção de Júlio Verne. Assim que não tiver mais autores e sagas para actualizar viro-me para eles. Tenho a sensação de que durarão até à minha velhice, mas eu mereço-os.

Primeiro a minha estante geral (não sei onde por os outros que virão e aqueles que estão na mesinha de cabeceira mas depois pensarei nisso):
Um lado... (Daniel Silve, Luís Miguel Rocha, Dan Brown, José Rodrigues dos Santos, Elie Wiesel, etc)

... e o outro (Charlaine Harris, Karen Marie Moning, Steve Berry, Julia Navarro, James Rollins, Paulo Coelho, Marc Levy, etc).

Esta é aquela que chama a minha Estante da Nora Roberts. Só tem livros dela e da J. D. Robb que vai dar no mesmo: as trilogias, sagas, séries, antologia, e-books, livros da harlequin. Como já não tenho prateleiras vou pondo os livros uns em cima dos outros. Os últimos degraus só chego em cima da senhorinha, e já não chego mais longe, por isso pergunto, onde vou pôr os próximos?Bem de reparar, que a minha mesinha de cabeceira está um bocadinho cheia com mais livros, com agendas, com caixas que fiz para oferecer, fotografias, os comandos da televisão da aparelhagem. Enfim, não consigo estar na cama sem fazer nada (quando estou acordada).

Como não consigo apanha a Estante passo aos seguintes degraus (de baixo para cima):
Trilogia das Chaves, Trilogia do Sonho, Trilogia do Jardim, Trilogia das Três Irmãs, Antologias, etc.

Trilogia Irlandesa, Trilogia da Herança, etc.

E por fim, Saga dos Quinn, Série Mortal, etc.
Nem sei como se seguram. Na verdade, já houve uma vez que não se seguraram e acabaram mesmo por cair para cima de mim, durante a noite. Foi só um estrondozito quando toda a gente estava a dormir. Lol.

As minhas próximas aquisições ficam afixadas no placar atrás da porta do quarto para quiserem oferecer não falharem. Lol.

E as vossas estantes?"

Atlanta Heat - Lora Leigh

Atlanta Heat
"Mason 'Macey' March sempre soube que a afilhada do almirante, a doce Emerson Delaney, não era para si. Mas quando terroristas a raptam e Macey é chamado para o seu salvamento, as regras mudam. As coisas estão prestes a aquecer em Atlanta, e Macey sabe que assim que a tocar, os dois irão se queimar."

Atlanta Heat, parte da antologia Rescue Me, o sexto e último volume da série Tempting Seals.
O que dizer do último? Gostei desta família. Já vos disse mas repito: esta série foi escrita antes das Elite Ops, eu comecei ao contrário. Vou gostar de continuar na companhia destes senhores. Porque apesar da sua série ter acabado, de uma forma ou de outra, eles vão continuar a aparecer, como, por exempo, aqui o nosso Macey ou o Ian, em Wild Card.

Em termos da história em si, não tem muito que se lhe diga. Também o que será que pode acontecer em 49 páginas? Um pouco ao estilo de For Maggie's Sake, fecham-se numa cave para se poderem esconder de pessoas que querem atacar Emerson. Depois de estarem na cave, passa a ser um pouco mais como a desilusão de Reno's Chance, passam o tempo todo na cama, ou no chão, ou onde quer que seja. Nesse aspecto, acaba por perder um pouco a graça.

O Macey nunca foi daqueles que me despertou muita atenção. Apesar de ser mais um membro na equipa dos SEALs, só no último volume é que ele se levantou de detrás do computador para ir lutar, nunca se mostrou um durão. Eu imaginava-o um nerd. Mas depois do que vi nos poucos momentos em Killer Secrets e de o ver agora ao princípio, para um agente não está mal, mas há os outros, na minha cabeça, mais giritos. Lol.

A Emerson, é uma dor de cabeça. É ela que toma sempre a iniciativa. Sempre que começa a sedução. E que por causa disso, complica a vida de Macey. Mas as coisas só acontecem assim até ela se vir fechada na cave, sozinha com Macey. Nessa altura, a coisa já não é tão divertida.

O que eu mais gostei neste volume, é que Macey não perde tempo a fugir daquilo que sente por Emerson. Aquilo que o fazia temer no passado, deixa entretanto de o assustar. O único problema é fazer Em ver isso. Por outro lado, este é dos livros em que eu sinto mais amor. Esquece-se um pouco desse sentimento quando se lêem livros eróticos, mas não nos faz mal pensar que acaba por ser isso mesmo que procuramos. Pelo menos a maioria de nós.

Agora que os Tempting Seals acabaram, e que já li os livros editados de Elite Ops, vou ficar desesperada à espera do Black Jack. Mais do que isso, espero continuar a rever estes homens nos próximos tempos. Pelo menos na minha cabeça.

Ao ler o livro, percebi o porquê das Elite Ops. O ciclo não se fechou. Diego Fuentes continua à solta. E Nathan, que volta a aparecer aqui, deixa muito por desvendar. Ainda bem que a série começa com ele. E ainda bem que já li a sua história. Entre o fim da leitura até eu estar aqui sentada a escrever, fui reler na diagonal Wild Card. Este tipo de livros, não posso aconselhar ou desaconselhar, depende grandemente do estado de espírito e da pessoa que é. Mais uma vez, obrigada Fernanda, por me apresentares esta senhora.

Teaser da série completa, Tempting Seals (não é bem um teaser, é mais uma ideia do que poderiam ser os homens e mulheres desta série fantástica):

Não concordo com todos (a Kira tem cabelo preto) mas é uma boa aproximação.

Ver também: Reno's Chance, Dangerous Games, For Maggie's Sake, Hidden Agendas e Killer Secrets.

sábado, 9 de Janeiro de 2010

Killer Secrets - Lora Leigh

"Lutar é a sua missão
Enquanto filho ilegítimo de Diego Fuentes, Ian Richards enfrenta o perigo a todo o instante. Nem o seu pai, nem os seus camaradas sabem o lado pelo qual ele luta, ou contra qual. O que é exactamente como o jogo deve ser jogado... até a agente Porter entrar no esquema.

Salvá-la é a sua paixão
Kira Porter, é uma agente secreta a trabalhar para a DHS, vigia Ian na sua jornada. Ela pensa que consegue ver o verdadeiro homem sob o exterior de mau rapaz de Ian... mas este continua a mantê-la na dúvida. Será o seu objectivo proteger o cartel Fuentes de terroristas franceses? Ou para matar o seu pai? A única coisa de que Kira tem a certeza é que a sua atracção por Ian é uma bomba relógio à espera de explodir. Com o tempo a esgotar para o fim da sua missão, ela e Ian são levados cada vez mais perto para a beira do desejo - e ainda mais perto para a linha de fogo..."

Killer Secrets, o quinto volume de Tempting Seals.
Este livro é cheio de reviravoltas. Não se entenda que por isso não sabemos logo o que se passa, pelo de menos por parte de Ian. Realmente, das duas uma, ou Ian tinha-se tornado mesmo um mau rapaz ou então estava a conspirar alguma contra o pai. Neste aspecto não há dúvidas quanto à resposta.

As reviravoltas devem-se mais às outras personagens. Não sabemos até que ponto Ian é apoiado pelos outros membros da antiga unidade dele, que também são os seus amigos, e não sabemos quais são as verdadeiras intenções de Kira (embora possamos adivinhar). A dúvida também se põe no papel de Diego nesta história.

Costumo dizer que se uma história se passa toda no mesmo espaço geográfico é porque o ritmo não será muito intenso. Creio que neste livro, Lora conseguiu fugir a essa regra. Passando-se toda na mesma ilha, a história não perde com isso. É muito intensa, com muitos momentos explosivos, muitas tentativas de assassinato, muitas mortes, bem ao estilo de um livro com cartéis de droga e lutas por domínio.

No último livro, tínhamos tido um vislumbre do que estava para acontecer. Vimos Ian, no hospital, a despedir-se de Nathan, o seu melhor amigo, e pouco depois também se vê obrigado a despedir-se do resto da equipa quando eles descobrem que ele é filho do homem que têm andado a perseguir. É nestas circunstâncias que Ian se coloca do lado de Diego Fuentes, o barão da droga. A propósito, aquele Nathan, é um homem cujo nome morre para dar origem a Noah, de quem já vos falei em Wild Card, e que é resgatado das mãos de Diego ao mesmo tempo que Emily, ainda no livro anterior.

Ian é agora o herdeiro de um património imenso, que tem na base, a droga, a prostituição, a escravatura, armas, etc. Tem de lutar para ganhar a confiança do pai, e para isso só através da traição aos amigos. E à mulher que começou a amar anos antes. Um homem que me tinha parecido descontraído em Hidden Agendas mas que aqui se mostra apenas frio e calculista. Não há um momento no livro em que não esteja tenso. Sempre à procura de traidores, sempre à procura de escutas, sempre desconfiado de tudo e de todos. Inclusive de Kira.

Kira, já conta com mais de 10 anos de serviços como agente secreta, uma agente que trabalha por contrato. Nunca trabalhou para uma instituição em específico. Ao fazê-lo, são poucos que conhecem a verdadeira identidade desta mulher, que apenas é conhecida como uma princesa da sociedade americana. Neste aspecto é interessante ver como um barão da droga e a princesinha da América se entendem. Mas afinal eles já se conhecem há anos. Kira é conhecida no meio apenas como o Camaleão, pelos disfarces que usa nas suas missões, nunca ninguém consegue descortinar a sua identidade, excepto Ian. Este é o único que de todas as vezes que se encontraram a reconheceu mas que nunca fez intenção de a desmascarar. Por si só, este facto só faz com que Kira o ame cada vez mais. Não será difícil de escolher um lado, desde que esse lado não magoe, ainda que inconscientemente, o seu homem.

Opto por falar de Diego. Diego é o dono do cartel da droga que desde o princípio da série se fala. Só poucos anos antes soube que tinha um filho. Um filho adulto e o filho que todos os pais esperam. Um filho com todas as capacidades para tomar o seu legado e continuar com aquilo que já o seu pai criou. Continuar o nome da família. Para isso, está disposto a colocar-se ao lado de tudo e dar total apoio ao filho. Mas, como é de prever, Ian dar-lhe-á muito trabalho. A forma como um e outro trabalham (mesmo sem saber qual o verdadeiro lado de Ian) é contraditória e os confrontos são inevitáveis. Independentemente, parece-nos que ele ama o filho com tudo o que tem. E chegamos ao fim sem saber se devemos apreciar esse amor, ou se havemos de o condenar por todos os crimes já cometidos. Como ele não é meu pai, não tive problemas em condená-lo.

Sendo assim, sobra Macey para o último volume. Já fui espreitar, vai ser outro livro muito curto e que faz parte de outra antologia. Falta saber de que tipo será ele. Macey nunca despertou muito interesse enquanto homem. Mas isso explico depois.

Ao ler o livro, lembrei-me muitas vezes de imagens da música Lucky do Jason Mraz e Colbie Caillat. Não cheguei a dizer-vos que se passa em Aruba. Com o frio que está ali fora (hoje até neva), estava mesmo a precisar deste livro para me aquecer. E não é só da boca para fora. Parece mesmo que só pelo simples facto de ser neste espaço, com as personagens vestidas de florzinhas e roupinhas leves, aquece qualquer coisa cá dentro.

Teaser:


Ver também: Reno's Chance, Dangerous Games, For Maggie's Sake e Hidden Agendas.

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Hidden Agendas - Lora Leigh

"Salvar vidas é a sua missão.
O durão SEAL Kell Kreiger é o melhor na procura, salvamento, sem prisioneiros... mas a procura por missões cada vez mais perigosas não é o suficiente para o satisfazer. Assombrado por um passado tortuoso, Kell procura distracção num mundo secreto de intimidades negras. Mas quando Emily Stanton, o raio de sol na existência ensombrada de Kell, é perseguida por um lorde da droga, as regras do jogo alteram-se rapidamente - e Kell terá de ir mais longe do disfarce do que alguma vez imaginou...

Salvá-la é a sua paixão.
Emily amou Kell desde que o seu pai, um político proeminente, o salvou de uma vida brutal nas ruas. Na altura eram crianças, muito novos para agirem conforme o que crescia entre os dois... mas agora que Emily está pronta, o lindo e poderoso SEAL decidiu que não a merece. Desde que a salvou de Diego Fuentes, a única missão de Kell tem sido manter Emily em segurança. Mas Fuentes ainda não terminou com Emily - ou Kell. E para proteger Emily, Kell não tem alternativa senão entregar-se por completo - corpo, alma, e segredos -... e lutar contra o mal com todo o seu coração."

Hidden Agendas, o quarto volume da série Tempting Seals.
Oh, oh, um dos melhores livros. E para mim, um dos melhores agentes. Não descartando os que estão para trás, Kell é qualquer coisa.

Ok, o livro não podia começar de melhor forma. Kell descobre que Emily vai fazer uma lap dance num clube de strip, e consegue ser ele o felizardo a recebê-la. O melhor é quando ela colapsa (entenda-se, tem um orgasmo), só de fazer a lap dance. O homem nem sequer lhe toca, e ela desmancha-se assim. Portanto, o que é que se entende daqui? O homem deve ser genial.

A história é interessante. Como em qualquer série, o tema volta a ser o mesmo. Desde Reno's Chance (entenda-se Dangerous Games, já que não me canso de dizer que no primeiro volume não houve investigação nenhuma), que toda a trama gira em torno de um cartel de drogas na Colômbia. Neste livro, em específico, temos o desenvolvimento da vida de uma das três raparigas que foi sequestrada anos antes por aquele cartel. Kell, entra então em jogo para a voltar a proteger contra uma nova tentativa. A melhor forma de o fazer sem alertar o cartel que se sabe das suas intenções é ficar perto de Emily. E que melhor forma de o fazer se não fazer passar-se por parceiro amoroso de Emily? Está a ficar interessante, não? O resto vão ter de o descobrir sozinhos.

Kell, como já disse, é algo de extraordinário, apaixonado por Emily já há alguns anos. Antes ainda do sequestro. Há medida que os anos passam, apenas se apaixona mais pela personalidade de Emily. O homem é, no entanto, muito sério. Nunca se ri. Uma pena. Mas enfim, acho que vai muito de encontro ao nome dele, não acham? Kell Kreiger é um nome que parece de um homem muito rígido. Bem, o homem perde o controlo sempre que está com Emily. E por que é que ele é tão sério? Porque anos atrás mataram-lhe a mulher e o filho que esta ainda carregava no ventre, devido a um erro cometido pelos pais e avós de Kell. Desde então, a sua relação com a família nunca mais foi a mesma. Kell renuncia ao dinheiro e à herança a que tem direito, de uma das famílias mais poderosas da Califórnia. É, inclusive, para não dar o gosto à família, que atrasa a relação com Emily, a herdeira de outra grande fortuna. Mas quando o coração chama, tem que se responder ao chamamento, e Kell vai se ver apertado com esta mulher.

Emily, é uma carga de trabalhos. Não sei de que outra forma descrever. É uma lufada de ar fresco na vida de qualquer um. Ela cativa todos os que a rodeiam. O sequestro anos antes podia ter destruído a sua beleza, a sua energia, mas ela ergueu-se de novo. É uma mulher forte e determinada em conquistar o único homem que alguma vez conseguiu ter a seu lado. Tem vontade de escrever, mas para isso, precisa de investigar. Investigar ou estudar através de visitas de estudo e por vezes aulas práticas. É uma dessas aulas que a conduz ao clube de strip, e sem se aperceber que o homem que a observa é Kell, deixa-se levar. No entanto apesar de tanto extrovertimento, ela é virgem e não consegue deixar de sentir um pouco de medo de Kell. Depressa descobre que não vale a pena. O homem preferia morrer do que a magoar de alguma forma.

Os restantes personagens que ainda estão por explorar continuam a ser aqui desenvolvidas. Como por exemplo, Ian sobre o qual vai ser o próximo volume. Sempre que está sozinho ou a trabalhar o homem está sério. Mas como digo, ao lado de Emily é obriigado a descontrair. Já quando aparece Kira, a melhor amiga de Emily e outra agente disfarçada, o homem fica tenso. Adivinhem quem vai ser o próximo par romântico?

Ao ler o livro, não pude deixar de o comparar a Maverick, em que Micah também se faz passar por namorado de uma rapariga, que por acaso é outra das três raparigas sequestradas pelo cartel. A terceira rapariga acabou por morrer. Sobraram estas duas: Emily resistiu com graça, Risa ainda está traumatizada. Portanto, fez-me lembrar de Maverick, claro que devo ter em conta que Maverick foi escrito depois de Hidden Agendas. Aliás as Elite Ops surgem no seguimento dos Tempting Seals. Mas isso eu explico no próximo post ou no seguinte.

Ver também: Reno's Chance, Dangerous Games e For Maggie's Sake.

For Maggie's Sake - Lora Leigh

For Maggie's Sake
"Conhecemos Joe Merino em Dangerous Games. O ex-SEAL sexy agora a trabalhar para a DEA. Joe perdeu a sua oportunidade com a mulher que amou anos antes, mas agora, devido ao perigo que a persegue, ela terá a segunda chance. Se ele a conseguir salvar primeiro."

For Maggie's Sake, faz parte da antologia Real Men Do It Better, e é o terceiro volume da série Tempting Seals.
E se eu ainda há pouco dizia que havia um homem a mais, para além dos cinco da unidade dos Seals, aqui está ele.

Relembro-vos que este livro faz parte de uma antologia, por isso, é muito curtinho. Mas ao contrário do que acontecia em Reno's Chance, em que eu me queixei de que não havia qualquer missão para nos aliviar da tensão sexual, temos uma relação que reacende depois do nosso homem ter que se esconder com a nossa mulher para a proteger.

Portanto, não sendo nada do estilo Die Hard, o ritmo é muito lento. De resto não podia ser de outra forma, visto que passam o tempo quase todo numa cabana nos confins do mundo, perdida nas montanhas.

É um livro que surge do seguimento de Dangerous Games. Joe Merino é o superior directo de Morganna. No final da sua investigação acaba por matar o seu melhor amigo, o mesmo que anos antes lhe 'roubou' a mulher, aquela que continua a amar até hoje. Entenda-se que o outro senhor não era boa peça, de modos que não tenhamos pena dele. Depois da morta dele, são descobertos diários, cheios de palavras rancorosas para com Joe. Mas continua a faltar informação, informação essa supostamente na posse de Maggie, a sua mulher. Esta informação é vital não só para a investigação de Merino mas também para os aliados do morto. Por isso, Maggie está em perigo, enquanto tais documentos não forem encontrados. É nestas circunstâncias que o nosso casal acaba por se esconder num buraco, não só para proteger Maggie mas também para a tentar fazer lembrar-se de alguma coisa que os conduza à informação.

Confesso que quando li Dangerous Games, Joe não me pareceu muito interessante. Acho que não reparei nele duas vezes. Reparei sim, que numa das cenas, ele ficou estranho quando o seu melhor amigo fez referência a Maggie. Na altura, no entanto, não me fez pensar num volume só com ele, mas aqui está ele. Joe é muito mais homem do que eu estava à espera. Já conhecia Maggie há muitos anos atrás, mas a sua decisão nesse tempo fez com que Magie o abandonasse, e o ódio que o morto tinha por Joe, fez com que ela acabasse por cair nas teias de uma mentira e de um teatro doloroso para ela. Agora, quando os dois se reencontram, há que repor a verdade dos factos e eles terão muito tempo para isso.

Maggie é uma mulher que não sendo completamente frágil, também não é de todo forte. Os anos que passou ao lado do marido foi de uma mentira negra e conviver com tamanho ódio, não terá sido fácil. Com tantos em cima, contudo, não conseguiu esquecer o homem que sempre amou. Agora só tem de o fazer ver que ele a quer tanto como ela a ele. Desta vez, nenhum dos dois vai deixar escapar o outro. Esta ruiva irlandesa vai dar muito trabalho a Joe, mas eles acabam por se entender, entre lençois, e em cima da mesa da cozinha, e... bem, onde houver espaço e tempo. Lol.

Este volume não deu pistas para quem será o próximo agente a ser publicado, mas qualquer que seja, será muito bem vindo à minha estante. (Atenção, isto sou eu a fazer o meu jogo, de que não sei o que vem a seguir, apesar de saber, aliás neste momento já li os livros todos, lol).

Ao ler o livro, não pude deixar de me lembrar da Maggie de Herança de Fogo de Nora Roberts. Acho que em termos de descrição de personagens, a Nora é mestre. Não me foi de todo difícil imaginar esta Maggie com os traços daquela outra.

Ver também: Reno's Chance e Dangerous Games.
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